19 de setembro de 2026

Crônicas de ônibus (XVI)

 Por Sierra


Foto: Arquivo do Autor
O fanatismo religioso vem se consolidando como um dos grandes males deste nosso tempo


A crença no sobrenatural, o contato com as forças ocultas, o culto às divindades, enfim, as pregações e os ritos religiosos, eu acredito e defendo isso, são isntâncias de foro muito ínitmo e pessoal, que, quem crê, deveria, apra além de sua experiência consigo mesmo, compartilhar com outros indivíduos que estejam sintonizados e também acreditem no que esse alguém louva, exalta e professa.

Mas, na realidade, não é assim que isso se dá. Muito pelo contrário. O que se vê por aí são ações em grupos e/ou individuais de pessoas que movidas pelo propósito de professarem e difundirem suas crenças a qualquer custo, invadem e tomam espaços sem pedir licença alguma para tanto e sem perguntar se o outro tem interesse e está disposto a ouvir o testemunho, a pregação e o que mais eja. E são os ditos e classsificados como evangélicos que frequentemente protagonizam ações desse tipo. Você dificilmente verá por aí - eu, pelo menos, nunca vi - adeptos do budismo, do candomblé, do kardecismo, da umbanda, do islam,ismo, do catolicismo e de outras religiões praticando tais ações; e o fazem não somente com o fito de evangelizar, como eles costumam dizer; muitos deles fazem pregações em locais públicos atacando outras crenças, maldizendo a fé que existe diferente da deles e proclamando que todo aquele que não seguir e nem acreditar no que les anunciam vão, claro, para o inferno de todo jeito e, quiçá, até de ônibus.

Não engo para absolutamente ninguém a minha descrença no sobrenatural. O meu ateísmo não é uma bandeira e nem um estandarte com o qual eu saia por aí pregando que deuses não existem, que a "religião é o ópio do povo" e outras coisas do gênero. Por outro lado, eu me recuso terminantemente a participar de rituais religiosos porque eu sei que eles não são para mim, não fazem parte da minha compreensão de ser e estar no mundo; assim como eu não aceito que uns e outros venham me forçar e me obrigar a ouvir sias pregações religiosas, e os ônibus, infelzment, são um dos espaços públicos nos quais os evangélicos inoportunos e inconvenientes costumam atuar como se os coletivos fossem uma espécie de templo ambualnte.

Duas são as coisas mias insuportáveis para mim como usuário do transporte público de passageiros: indivíduos que põem celulares e caixas de som tocando músicas na maior altura, para todo mundo ouvi; e esses espécimes que embarcam e fazema  viagem todinha falando passagens da Bíblia e dizendo do Apocalipse e do inferno, tirando o sossego de quem queria chegar ao seu destino lendo um livro, conversando com algué ou vendo sus redes sociais e mesmo tirando umc ochilo.

Evangélicos não estão nem aí para o sossego alheio dentro dos ônibus; o negóciio deles, o propósito deles ali é justamenteacabar com o silêncio e promover um quase culto, enquanto o coletivo segue na estrada.

Dia desses um pregador embarcou no coletivo que eu pegara para ir ao Recife. Eles são muito previsíveis; e costumam seguir um roteiro - ah, eu preciso dizer a vocês que eu só vi, em todos esses anos de idas e vindas em ônibus, uma única mulher fazendo pregação nos coletivos -: dizem "a paz do Senhor, irmãos!"; e, em seguida, começam a pregação fazendo vez e outra a citação de versículos bíblicos, contam superação de obstáculos em suas vidas, anunciam a vinda de Jesus Cristo e o dia do Juízo Final, aterrorizam meio mundo dizendo que quem anda fazendo "coisas que Deus não gosta" vai para o inferno, onde mora Satanás e chegam so grand finale, que é tentar converter para a crença deles algum dos possíveis ouvintes que eles tiveram - eu nunca vi, nos ônibus, alguém, como os pregadores ambulantes costumam dizer, "entregar a sua vida ao Senhor". Nessedia,e m particular, o tal pegador obstinado que entrara no ônibus que me concuzia para a capital pernambucna não seguiui o roteiro por inteiro; e se pôs a distribuir, entre os passageiros, "a palavra de Deus". Começou a distribuição dos papéis da frente para trás, até que chegou onde eu em eonctrava, num dos assentos do fundo do coletivo e me estendeu a mão me oferecendo "a palavra de Deus", o tal deus da sabedoria, da compaixao, do eprdão e do amor. Eu disse que não queria. E ele insisitiu:

- Tome, é a palavra de Deus!

Eu, que estava lendo um livro, levantei a cabeça e tornei afalar para ele, só que de modo mais enfático:

- Eu não quero, não, boy!

E sabem o que foi que o pregador do deus do amor disse ao se afstar de mim? Isto:

- Gente assim não deveria existir no mundo, não. Deveria morrer logo.

Na minha euestava e na minha eu fiqueiporque eu não iria perder o meu tempo e nem o meu latim batendo boca com alguém que já havia decretado a minha ida para o inferno, não é mesmo? Ainda assim eu senti uma enorme vontade de dizer a ele:

- Moço, criatura de Deus, este ônibus está indo para o inferno. É melhor você descer.

 

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