Por Sierra
hoje amanheci domingo
estou cedo pelo Recife deserto
as possibilidades são raras
na cidade que eu sou:
o sol do atlântico pode me devorar
ou a chuva do capibaribe me apodrecer.
ninguém transita ou veicula sorrisos
não chega ou se despede ninguém cotidiano
tudo sou eu que parei e descanso mortemente.
Identificado Recife.
Juhareiz Correya

Fotos:Arquivo do Autor
Espalhados pelas calçadas da Avenida Guararapes, livros e mais livros marcam o cenário de um pedaço do bairro de Santo Antônio, no coração do Recife
Olhares sobre a cidade
Para mim é impossível andar pelo Recife sem deixar de
olhar para as suas transformações e abandonos e para as suas permanências e
contrastes, porque essa percepção da mutabilidade da cidade salta aos olhos de
modo quase imático, atraindo a minha visão; e mirar espaços urbanos, eu confesso,
é um exercício que eu não me canso de praticar.
Num livro que, embora escrito na hoje distante década
de 1990 conserva, em essência, o caráter das grandes cidades brasileiras de um
modo quase que geral, caráter esse que permanece até os dias de hoje, Júlia
Falivene Alves descreveu o quadro genérico de uma urbe que, a bem dizer, é um
retrato revelador de uma realidade vista em inúmeras cidades deste país:
Se, para alguns, viver em nossas metrópoles significa
optar por maior acesso à modernidade e à realização pessoal e profissional mais
completa, para outros representa apenas uma esperança frustrada de superação da
miséria já por eles conhecida em outras partes do país. Para a grande maioria,
porém, a vida nessas cidades não é mais do que uma luta sem trégua e constante
contra o processo cada vez mais ameaçador do empobrecimento e contra o
rebaixamento do nível de suas condições de moradia, transporte, saúde, educação,
lazer etc. (Júlia Falivene Alves. Metrópoles:
cidadania e qualidade de vida. São Paulo: Editora Moderna, 1992).
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| José Rodrigues observando o movimento |
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| Elvis Rossi, o rei dos discos de vinil, fazendo um lanchinho |
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| Canário do Império: é muito talento para uma pessoa só |
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| O cordelista Fernando Serpa |
À medida que o caminhante conhecedor do passado do
Recife vai atravessando suas ruas, pontes, praças, becos e avenidas, ele se
depara não apenas com contrastes sociais deveras gritantes no que diz respeito
à ocupação edificada - às margens do Rio Capibaribe, por exemplo, se encontram
sobrados imponentes dos tempos de antanho (alguns deles em completo estado de
abandono, é verdade), prédios de alto padrão mirando o horizonte e, também,
inúmeras famílias que vivem se equilibrando em palafitas, enquanto, apenas na
área central da capital, existem dezenas de edifícios de não sei quantos
andares desocupados e que poderiam servir de moradia para famílias de baixa
renda e mesmo para os chamados sem-teto -, bem como com cenários marcados por
ausências e novas construções.
As cidades não são inteiramente imutáveis, mesmo
quando conservam expressivos conjuntos de edifícios históricos; e isso se dá
porque as mudanças que se operam nos sítios urbanos não dizem respeito só às
transformações de formas edificadas como também de ocupação e de uso.
Apagamentos, destruições, construções recentes,
redefinição de modos de percorrer as ruas - agora mesmo a Prefeitura Municipal
do Recife atendendo, segundo foi divulgado, aos apelos dos proprietários dos
imóveis, vai liberar, depois de décadas de proibição, a circulação de veículos
pela Rua da Imperatriz, no bairro da Boa Vista, medida essa que buscará atrair
público para esse logradouro que já foi um dos pontos comerciais mais pulsantes
da cidade - normalmente implicam e resultam em mudanças de convivência com a
urbe; alteram-se, igualmente, rotinas de quem busca certos lugares do espaço
citadino, algo que pode refletir de maneira muito drástica e por vezes
irreversível no modo como eles são procurados seja para o que for:
comercialmente, turisticamente, laboralmente, culturalmente, etc.
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| Geraldo José e Nerivaldo Guedes |
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| Elizeu Espíndola dando o seu recado |
Toda mudança de uso, busca e ocupação de determinados
espaços da cidade podem ser modificados, por exemplo, com o fechamento de uma
loja, de uma agência bancária ou de um cinema; isso porque, a loja, o banco e o
cinema, ainda que sejam estabelecimentos muito distintos e independentes, de
alguma forma se ligam a outros, como uma lanchonete, uma farmácia, um engraxate,
um fiteiro, uma perfumaria, uma livraria, um quiosque que vende coco verde e
por aí vai, num encadeamento quase infinito.
Alguém faz ideia de quantas pessoas frequentaram o
hoje desaparecido Bar Savoy, que ficava na Avenida Guararapes, no bairro de
Santo Antônio? Alguém pode avaliar quantos encontros e desencontros foram ali
vividos, quantos pensamentos, projetos, fantasias, obras e desilusões foram
vivenciados e experimentados ali? Alguém compreende que isso também faz parte
da ama e da memória urbana do Recife? O Bar Savoy era um recanto de boemia e de
encontro de intelectuais e de ilustres desconhecidos que se orgulhava de
ostentar - e tinha razão para tanto, porque não é todo dia que um ponto
comercial é agraciado com uma homenagem dessa - em sua placa, uma bonita placa,
por sinal, versos do poeta Carlos Pena Filho que dizem assim:
Na Avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antonio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chope,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos
trinta mil sonhos frustrados (Carlos
Pena Filho. "Chope". In Livro Geral. Olinda: Gráfica
Vitória, 1973, sem paginação).
Como eu disse, as cidades não são inteiramente imutáveis; e com o Recife, uma cidade conquistada às águas com um sem-número de aterros, uma "cidade-sereia", no dizer de mestre Gilberto Freyre, com "encantos anfíbios" de "suas águas de mar a que se juntam as águas de rios" não foi diferente (Gilberto Freyre. O Recife, sim! Recife, não!. São Paulo: Arquimedes Edições, 1967, p. 16).
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| Allan Sales: violinista e cantor de primeira categoria |
Dentro do Recife: histórias rememoradas em dias de
domingo
Desde dezembro de 2021 - e sempre aos domingos e com
uma periodicidade que variou ao longo dos anos - as pedras portuguesas das
calçadas da Avenida Guararapes - sim, ali, o furor da Municipalidade por trocar
tais pedras por pisos intertravados ainda não chegou, felizmente - são testemunhas
de um acontecimento multicultural, que é a Edichão, um evento que acabou
levando ao estabelecimento de um denominado Coletivo Sebos do Capibaribe, um
grupo de livreiros, sebistas, apoiadores e entusiastas da causa e da atividade,
que foi reunido e criado em 2025 (a data oficial ou extraoficial da criação e
definição do nome é o dia 3 de fevereiro de 2025, segundo a informação que
consta num grupo de WhatsApp do qual
o sebista José Ítalo participa) com o propósito de manter viva essa tradição
muito recifense de venda de livros arrumados nas calçadas, ocupando um pedaço
de chão do Recife onde sebistas e livreiros - e eles estão lá de segunda-feira
a sábado - comercializam livros, revistas e discos musicais desde a década de
1970. E, todas as vezes que eu vou prestigiar a Edichão, inevitavelmente, eu
olho ao redor e revejo um memorial de ausências. E por quê?
Vamos lá. Eu venho há anos pesquisando sobre a
formação, a evolução e as transformações pelas quais o chamado núcleo primitivo
do Recife - Bairro do Recife, Santo Antônio, São José e Boa Vista - foi
passando em termos de reestruturação urbana e alteração no desenho e traçado de
suas ruas em seguidos bota-abaixo de centenas de edificações que compunham um
conjunto bastante significativo de prédios que remontavam aos períodos Colonial
e Imperial de nossa história. Acontece que esse olhar para o passado do Recife
acabou não se limitando às modificações das formas da cidade e dos usos e
ocupações do solo e se estendeu, inevitavelmente, para outras memórias além da
urbana: a memória administrativa; a memória artística e cultural; a memória das
lutas libertárias; a memória documental devidamente guardada em arquivos; a
memória imagética - pinturas, desenhos, mapas e fotografias -; a memória
literária e jornalística; a memória de testemunhos orais; e a memória que eu
mesmo fui acumulando da cidade não somente como vasculhador do seu passado mas
também como apreciador dos seus territórios.
De modo que, chegar e estar na Edichão, em plena
Avenida Guararapes, me remete, também, a um tempo que eu vivi freqüentando,
durante anos, aquele espaço no vai e vem de labutas e necessidades do dia a dia,
e indo ao prédio monumental da agência central dos Correios para despachar
cartas e comprar selos para a minha coleção e à Caixa Econômica Federal para
resolver questões da minha conta e, ainda, como cliente de muitos anos dos
sebistas que atuam naquelas calçadas. Lembram que eu recordei o Bar Savoy? Pois
é, o Bar Savoy não existe mais, assim como não marcam mais presença naquela
avenida a agência do Banco do Brasil e o Cinema Trianon, por exemplo,
estabelecimentos que eu conheci em pleno funcionamento.
No último dia 9 de agosto, num domingo de Dia dos
Pais, ocorreu mais uma edição da Edichão: e eu, que venho cobrindo com fotos e
textos pelo menos algumas das vezes que eu participei desse evento, novamente
tive a oportunidade de alargar o meu conhecimento sobre o passado cultural do
Recife, especificamente sobre o movimento dos sebos ali, naquelas calçadas. E
como foi isso? Ah, eu vou lhes contar só depois do próximo parágrafo.
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| José Rodrigues e o médico Luiz Carlos: dois frequentadores assíduos dos sebos da Avenida Guararapes |
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| Sebista também garimpa livros, visse?! Não é Fátima Soares? |
No domingo ensolarado do Dia dos Pais, mais uma vez a
Edichão ocupou as calçadas da Avenida Guararapes com muitos livros levados
pelos livreiros e sebistas Elizeu Espíndola (do Seborreia Recife), Fátima
Soares (do Livro Aberto), José Ítalo, Geraldo José, Hélio Moura Filho,
Nerivaldo Guedes (d'O Amado Livros), Paulo Rogério e sua esposa Fabiana Maria
e Severino Alves, conhecido como Ramos. Oh, Sierra, e teve música, teve? E
então: Allan Sales e Canário do Império não só cantaram como apresentaram para
o público o talento que eles também têm como violinistas. E foi só isso, foi?
Teve ainda "pegue e leve" de livros infantis organizado por José
Rodrigues; o sortimento de cd's e discos de vinil postos à venda por Elvis
Rossi; e o cordelista Fernando Serpa, a sebista, professora e poeta Fátima
Soares e o artista plástico Lúcio Mustafá dizendo versos no microfone,
microfone esse que, diga-se de passagem, fica sempre aberto para quem quiser se
expressar, como fez o professor André Ferreira, que leu para nós um artigo que
ele escreveu traçando um panorama da Avenida Guararapes e do seu entorno, destacando
a presença dos sebos em suas calçadas, como neste trecho que eu pincei para
transcrever aqui:
A avenida tinha algo a mais nos dois lados das suas
calçadas. Os pedestres desatentos e desinteressados não percebiam que no
calçamento em quase toda sua extensão eram espalhados livros usados e novos.
Esse comércio era realizado durante toda a semana, sábado e domingo (André
Ferreira. "Avenida Guararapes: histórias, calçadas, livreiros e
livros". Recife, 12 de junho de 2026. Duas folhas digitadas).
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| O professor André Ferreira no momento em que lia o seu artigo |
Agora vamos à tal oportunidade que eu disse que tive, naquele dia, de alargar o meu conhecimento sobre a presença de sebistas e do comércio de livros usados nas calçadas da Avenida Guararapes. De fato, o texto do professor André Ferreira, embora carregado e recheado com muitas informações, não trouxe dados novos para mim; algo novo eu apreendi conversando com outro assíduo frequentador dos sebos do Recife, em especial os das calçadas da Avenida Guararapes, aonde ele costuma ir para se abastecer com as duas formas de expressão literária de sua predileção: ensaio e poesia. Luiz Carlos, clínico geral de 72 anos, me contou que, na sua lembrança, os primeiros sebos das calçadas daquela avenida começaram a aparecer no final da década de 1970, período esse em que ele principiou a frequentá-los, hábito esse mantido até hoje, tendo ele apresentado os sebos, inclusive, aos seus filhos e netos.
Durante a conversa que eu mantive com Luiz Carlos,
além de contar dos primórdios dos sebos nas calçadas da Avenida Guararapes, ele
me disse que, em 1993 e em 2015, a Municipalidade agiu para remover os sebistas
da área, enquadrando-os na mesma condição dos camelôs e vendedores ambulantes
que ela vinha buscando retirar de certos espaços da cidade, situação essa que o
motivou a escrever cartas aos principais jornais da cidade dizendo do absurdo
da comparação entre os livreiros e sebistas com os outros vendedores que a
Prefeitura Municipal queria banir das ruas centrais da capital. A respeito do
início do comércio de livros usados naquela artéria, ele me disse o seguinte:
Em 1978, Zé Ursulino, que era funcionário de Jaime,
colocava um sebo na esquina dos Correios com a Rua do Sol. Depois, começaram a
chegar mais pessoas. Tinha um Joquinha, que já morreu, que era o segundo mais
antigo depois de Zé [...] Jaime negociava na Rua da Roda; ele pegava, aos
domingos, contratava Zé, sei lá, e trazia os livros pra cá. Marcelo Dias sabe o
sobrenome de Jaime, eu não sei. Então, colocaram os sebos. Depois, começou a
chegar mais gente. Chegou Ramos com Joquinha, que eram sócios.
Enquanto ouvia o depoimento do médico Luiz Carlos, eu
fiquei a imaginar aquelas calçadas ocupadas por livros em tempos idos, um tempo
em que, muito diferente dos dias recentes, o espaço central do Recife mais se
parecia com um formigueiro humano tantas eram as pessoas que circulavam de um
lado para o outro atravessando e ocupando as ruas com os mais variados
propósitos.
Memórias e mais memórias do Recife
Em linhas atrás eu disse de minha busca do passado do
Recife em várias memórias possíveis, algo como procurar e reunir peças de um
quebra-cabeça ou como quem junta e coleciona fragmentos, pedaços e coisas sobre
um mesmo tema de tempos vários.
Naquele 9 de agosto, na Edichão, eu ganhei duas
publicações que me remeteram ao passado da capital pernambucana em dois
períodos bem distintos e afastados no tempo. O sebista Elizeu Espíndola me
presenteou com o livrinho O Estado Novo, de Maria Celina
D'Araújo, que integra a prestigiada Coleção Descobrindo o Brasil, da Jorge
Zahar Editor. Você que está lendo este artigo por acaso sabia que foi durante o
Estado Novo (1937-1945), a ditadura de Getúlio Vargas, que a Avenida Guararapes
foi aberta e os seus prédios imponentes construídos? Pois é. E, antes de se
chamar Guararapes, ela foi batizada inicialmente de Avenida 10 de Novembro, em
homenagem à decretação do golpe, em 1937. Tudo isso foi relatado por Joel
Outtes num livro admirável que é O Recife: gênese do urbanismo
1927-1943 (Recife: Fundaj/Editora Massangana, 1997), no qual ele
denominou a nova artéria que foi aberta no bairro de Santo Antônio como o
"símbolo moderno da ditadura fascista" (p. 179).
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| A Avenida Guararapes vista a partir da Ponte Duarte Coelho: símbolo de um tempo ditatorial de nossa história |
O outro presente quem me foi o sebista e cartofilista
Hélio Moura Filho que, sabedor da minha coleção, me ofertou um exemplar do nº
138 da Agenda Cultural, de fevereiro de 2007, uma publicação da Fundação de
Cultura Cidade do Recife que, com o perdão do clichê surradíssimo, marcou época
na cidade informando não somente sobre instituições culturais como também
dizendo de espetáculos teatrais, shows musicais, lançamentos de livros,
exposições, etc. E sabe o que mais ela trazia? Reportagens, entrevistas e um mapa
da região central do Recife no qual era indicados museus, teatros, mercados
municipais, igrejas e outras instituições que integravam o universo artístico e
cultural da capital pernambucana. Não à toa a Agenda Cultural da Prefeitura
Municipal do Recife era uma publicação muito procurada, nos pontos em que era
distribuída, por pessoas que, assim como eu, a colecionava.
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| Severino Alves, o Ramos: muitos anos de convívio com os livros |
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| Eu com Nerivaldo Guedes |
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| Fernando Serpa e Lúcio Mustafá |
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| O jornalista Leonardo Klück e o antropólogo e escritor Roberto Azoubel |
Uma das mais curtas avenidas do Recife - e, possivelmente do mundo, junto com a Avenida Nossa Senhora do Carmo, que fica não muito distante dela -, a Avenida Guararapes é, ela mesma, um retrato bastante expressivo das mudanças de ocupação e de usos pelas quais a capital pernambucana, em geral, e o seu núcleo primitivo, em particular, passaram numa cidade cujos contrastes sociais - destaco outra vez isso - permanecem sendo enormes: enquanto existem salas e mais salas desocupadas naqueles prédios imensos que se encontram de um lado e de outro daquela artéria, uma parcela de despossuídos se abriga e dorme o sono dos socialmente excluídos sob a marquise da agência central dos Correios. E é nesse cenário que, há quase cinquenta anos, livreiros e sebistas vêm resistindo ao transcurso do tempo e também às transformações de uso e forma do cenário urbano e aos mais avançados inventos eletrônicos, comercializando livros, algo que, desde que foi inventado, nunca se tornou obsoleto e nem saiu de moda.
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