Por Sierra
Quem acompanhou tudo o que se passou neste país, nos
últimos quatro anos, na esfera política nacional, tem pleno conhecimento de
tudo o que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou, desde
os seus começos, frente a uma oposição no Congresso Nacional tomada por um
diuturnamente claro sentimento de aversão à pessoa dele, valendo-se de
manobras, no mais das vezes até absurdas, para, só e somente só, derrubar e
derrotar as pautas do governo, mesmo que isso significasse, essencialmente,
penalizar toda a sociedade, especificamente os mais pobres.
Aqui e ali nós ouvíamos alguém dizer que era preciso
pacificar o país em virtude da diferença pequena de votos que deram a vitória
ao candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) no pleito de 2022. Mas que pacificação
o quê, se os apoiadores de Jair Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL),
se mantinham ouriçados com o resultado das eleições e, estimulados pelo
derrotado nas urnas, acabaram cometendo vários crimes durante o episódio de
depredação, invasão e destruição que eles protagonizaram na Praça dos Três
Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, algo sem precedentes na
História deste país?!
Não foi nada fácil para o presidente Lula manter a
governabilidade de sua gestão num clima de tamanha agitação promovido pela ala
oposicionista do Congresso Nacional. Paralelo a isso, o país inteiro acompanhou
a identificação, o julgamento, a condenação e a prisão de dezenas de indivíduos
que agiram naquele 8 de janeiro na capital federal; e, além deles e de maneira
igualmente inédita neste país, foram julgados, condenados e presos tanto o
ex-presidente da República Jair Bolsonaro como alguns membros do alto
oficialato das Forças Armadas que, segundo as investigações, planejaram não
somente um golpe de Estado bem como o assassinato do presidente Lula, do seu
vice Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre
de Moraes.
O que se seguiu a isso foi a intensificação da
oposição ao governo no Congresso Nacional, resultando em algumas votações desfavoráveis
e contrárias aos interesses da gestão do presidente Lula. Tais embates
atingiram o ápice quando o então deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do
ex-presidente, viajou para os Estados Unidos com o fito de conseguir apoio do
presidente norte-americano Donaldo Trump para tirar seu pai da prisão, mesmo
que isso custasse - segundo as suas próprias palavras - deixar o Brasil num
cenário de "terra arrasada", porque a única coisa que importava para
ele era "se ver vingado". O resultado disso foi que o
extrema-direitista Donald Trump decretou o que foi chamado de
"tarifaço", um aumento considerável e injustificado das taxas de
exportação de uma quantidade enorme de produtos que o Brasil enviava para os
Estados Unidos. Como dizem que há males que vêm para o bem, o governo do
presidente Lula não cedeu à pressão norte-americana e tratou de buscar outros
mercados para os produtos nacionais, alcançando boas vendas. Em outra frente, o
governo norte-americano puniu ministros do STF com a aplicação da Lei Magnitsky, mas isso não alterou a
condição de presidiário de Jair Bolsonaro.
Com o advento do que viria a ser chamado de
bolsonarismo - uma versão muito piorada do extremismo político dito de
direita - nas eleições de 2018, o debate político no Brasil entrou em convulsão;
e os quatro anos do desgoverno de Jair Bolsonaro, em parte atravessado pela
pandemia de covid-19, só fizeram pôr mais água na fervura dos mútuos ataques
entre a esquerda e a direita; e a eleição de Lula, em 2022, provocou como que
um surto psicótico na ala bolsonarista, que, além de contestar a lisura das
urnas eletrônicas, fez o que pôde no Congresso Nacional e fora dele para
prejudicar o governo do petista, mesmo que isso significasse portar-se contra
pautas de interesse coletivo, principalmente para as classes menos favorecidas
da sociedade.
Como se não bastassem as manobras, ataques e fake news que os bolsonaristas
despendiam contra o presidente Lula, a oposição soube muito bem explorar as
investigações em curso sobre supostas participações em lobbies feitos por Fábio Luiz, filho do presidente Lula; a chamada
Máfia do INSS, um rolo de descontos não autorizados no dinheiro de aposentados
e pensionistas; e, por fim, o igualmente muito divulgado caso do Banco Master,
do ex-banqueiro e agora presidiário Daniel Vorcaro, que, como um rodo, saiu
arrastando os nomes de fulano, beltrano e sicrano, uma megafauna que incluía,
entre outros, políticos e membros do Judiciário, atingindo, em cheio, o
ministro Alexandre de Moraes, do STF, um inimigo figadal dos bolsonaristas, que
vivem a culpá-lo pelas condenações e prisões de Jair Bolsonaro e de dezenas de
seus apoiadores bisonhos e intransigentes, uma gente golpista que não aceita
ser derrotada nas urnas.
O resultado da beligerância bolsonarista contra o
governo do presidente Lula foi tamanha que, no primeiro turno das eleições
deste ano, em que ele disputava principalmente com o senador Flávio Bolsonaro -
outro filho de Jair Bolsonaro -, acabou ficando em segundo lugar e com uma
diferença de mais de dois milhões de votos obtidos pelo seu adversário.
Parecia que iria ser a derrocada do presidente Lula,
pois até os dados dos institutos de pesquisas para o segundo turno apontavam
para a vitória do senador que, apesar de possuir uma trajetória política
marcada por práticas de delinquências e ações desabonadoras, contava com um
grande sentimento antipetista que permanece vigente em parte de nossa
sociedade.
Cantando de galo num terreiro largo, Flávio Bolsonaro
já estava se comportando como se presidente da República ele já fosse, falando
e posando cheio de si. Ocorreu que, ainda na noite em que foi divulgado o
resultado do primeiro turno, alunos da Faculdade de Direito da Universidade
Federal Fluminense (UFF), em Niterói, decidiram reagir a esse estado de coisas,
considerando ainda o número elevado de senadores e de deputados federais que a
extrema direita elegera, o passado antieducação que vigorou no desgoverno de
Jair Bolsonaro e o fato de constar no plano de governo de Flávio Bolsonaro a
retirada das universidades do Ministério da Educação, colocando-as no Ministério
da Ciência e Tecnologia, que recebe menos verbas, eles saíram em passeata na
noite chuvosa do dia seguinte. Foi o start.
Foi a senha para que, em várias cidades do país estudantes e demais apoiadores
do presidente Lula fossem para as ruas - eu mesmo estive no Recife, distante 47
km de onde moro, para participar de uma das mobilizações – a fim de tentar promover
uma virada na votação.
Aconteceu também que o bolsonarismo não contava com a
inteligência, a astúcia, a habilidade e a capacidade de mobilização, via redes
sociais, da deputada federal eleita Ana Elisa e do deputado federal reeleito
André Janones, um titã que foi o grande responsável pela guinada que a esquerda
conseguiu obter naquelas redes então dominadas pelas narrativas bolsonaristas.
A bem da verdade, o denominado Exército do Lula, formado por mais de 10 milhões
de indivíduos que seguiam, pelo WhatsApp,
as ordens de execução de tarefas dadas pelo Comandante Janones, contou ainda
com a colaboração de pessoas muito famosas – daqui e do exterior - que puseram
suas caras nas redes sociais declarando apoio ao presidente Lula e defendendo
uma ideia de país que deveria continuar alicerçada em fundamentos democráticos.
E o que se viu no último dia 25 de outubro, dia de
votação do segundo turno, foi algo nunca antes visto na História deste país:
pela primeira vez, desde a redemocratização, um candidato que perdera o
primeiro turno, ganhou o segundo, derrotando o seu adversário - e com uma
diferença de mais de 4 milhões de votos. Foi incrível. Espetacular.
Emocionante. Arrasador. E que cenas foram aquelas, gente, de pessoas pegando
ônibus, avião e embarcações para irem votar? E os tantos idosos chegando aos
seus locais de votação? E a solidariedade de quem pagou passagens para que alguém
fosse votar e a de quem levou, no seu próprio carro ou moto, os eleitores do
presidente Lula para eles irem digitar o 13 nas urnas? Poxa, eu vivi para ver
isso, eu vivi para ver toda essa mobilização em torno de uma ideia feliz de país
com justiça social e democracia plenas. Foi emocionante demais.
Na noite do domingo passado eu senti uma das maiores
emoções da minha vida. Nós vencemos de novo. Nós conseguimos derrotar uma ideia
de país que era sombria porque eivada de ações contra a diversidade sexual, a
pluralidade de pensamento, a liberdade de crença, a defesa do meio
ambiente, a soberania nacional e, principalmente, contra as políticas que visam
o bem-estar de quem mais precisa de amparo social neste país.
Nós vencemos de novo!
Nós reelegemos o presidente Lula e fizemos história
juntos com ele!
Viva a liberdade!
Viva a soberania nacional!
Viva a democracia!





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