Por Sierra
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Fotos: Arquivo do Autor A festa dos 45 anos da Praça do Sebo teve um pouco de tudo: bolo, como não poderia deixar de ser, livros, cordéis, música, poesia, fotografia e vários encontros de pessoas que não conseguem viver sem praticar o exercício da leitura |
No labirinto do universo urbano repleto de ruas,
avenidas, becos e praças que compõem o bairro de Santo Antônio, no coração de
parte do chamado núcleo primitivo do Recife, existe um lugar, um recanto, um
espaço, um micromundo muito especial, em meio à selva de concreto, que é a
Praça do Sebo - oficialmente batizada de Praça Liêdo Maranhão, homenagem a um
dos maiores pesquisadores da cultura popular pernambucana que esteve na linha
de frente quando das tratativas para a instalação dos boxes dos sebistas naquele
espaço - que fica na Rua da Roda, onde existem também vários bares e
restaurantes.
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| Parte da arquitetura que envolve a Praça do Sebo na Rua da Roda |
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| A vereadora e poeta Cida Pedrosa ao lado de Severino Augusto, o mais antigo livreiro da Praça do Sebo |
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| O pessoal do Bloco Lírico Carnavalesco Cordas e Retalhos se preparando para animar a galera |
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| O artista plástico Gogaii e o sebista José Ítalo |
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| José Ítalo com Luiz Carlos, do Sebo Baleia |
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O artista plástico Toni Braga que ali, na hora feito caldo de cana, fez o desenho de uma ciranda pernambucana para mim
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| Duas gerações de sebistas: Luiz Carlos, do Sebo Baleia, e Elizeu Espíndola, do Seborreia Recife e do Coletivo Sebos do Capibaribe |
Acredito que não haja sequer um bibliófilo, um
pesquisador, um pai ou uma mãe que todos dos anos procuram obras didáticas e
amantes dos livros, da leitura e das coisas do Recife que não conheçam e que
nunca estiveram na Rua da Roda para garimpar títulos e mesmo de posse de uma
listinha para tentar encontrá-los nos vários boxes de sebistas que integram um
pedaço daquele chão que é como os primitivos pátios das igrejas, a exemplo de
um dos pouquíssimos pátios do Recife que sobreviveram à fúria do progresso
demolidor que abre passagens para os automóveis, que é o pátio da Igreja de São
Pedro dos Clérigos: você percorre o labirinto do traçado urbano e, de repente,
se depara com um espaço aberto cercado de prédios por quase todos os lados.
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| A escitora Ana Carolina Sobral e a sebista Cátia Sales; a Praça do Sebo como objeto de estudo e de geração de renda |
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| Elizeu Espíndola e o poeta Samarone Lima |
Particularmente eu guardo a lembrança de diversas idas
aos sebos da Rua da Roda: vários dos livros que constituem a minha biblioteca
foram adquiridos lá.
Oficialmente inaugurada no dia 26 de agosto de 1981,
na gestão do então prefeito Gustavo Krause, a Praça do Sebo teve a festa de
seus 45 anos de existência celebrada no último dia 29 de agosto; e eu, claro e
como não poderia deixar de ser, fui até lá comemorar esse feito e me juntar a
uma pequena multidão de escritores, leitores, sebistas, livreiros,
pesquisadores, cantores, cordelistas, artistas plásticos e outros espécimes que
não conseguem viver sem a boa companhia dos livros e que, por outro lado e de
alguma forma, militam para que o centro do Recife continue vivo e pulsante apesar
dos tantos fechamentos de estabelecimentos comerciais ocorridos nos últimos dez
anos.
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| O escritor e cordelista Geraldo Valério |
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Trinca de ases: da esquerda para a direita, o multiartista José Rodrigues, o poeta Edson Ahut Wató e o professor e escritor Roberto Azoubel
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| A ação do valoroso Clube Filatélico do Recife com a emissão de um cartão-postal comemorativo ao aniversário da Praça do Sebo |
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| A sebista Cátia Sales, uma guerreira que segue firme no seu ofício e na movimentação da Praça do Sebo |
Na ensolarada manhã do dia da festa da Praça do Sebo
eu fui me juntar a todos aqueles que reuniram forças para fazer o evento
acontecer, como os sebistas Elizeu Espíndola e Cátia Sales.
Fazendo as vezes de mestre de cerimônia, Elizeu
Espíndola, que levou a sua filha Zaila, conduziu o andamento da celebração à
qual, entre outros, compareceram Roberto Azoubel, Cida Pedrosa, Gogaii, Ganjja,
José Rodrigues, Valmir Jordão, Samarone Lima, Rennat Said, Gerson Ipirajá, Hélio
Moura Filho, Emerson Pontes, Toni Braga, Luiz Carlos, Leonardo Klück, Adelbar
Lima, Urariano Mota, Geraldo Valério, Fernando Serpa e José Ítalo.
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| Eu ao lado de Jacaré, o mais longevo sebista em atuação no centro do Recife |
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Não são só livros, não: na Praça do Sebo você encontra também discos de vinil, gibis, revistas e outras coisas mais
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| O Recife é a um só tempo a cidade da minha formação intelectual e o território que ampliou o meu entendimento de mundo e aguçou os meus interesses artísticos e culturais |
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| Com Roberto Azoubel |
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| O artista plástico Gerson Ipirajá e o escritor Rennat Said |
Nos discursos que fizeram na ocasião, uns e outros se
lembraram não somente de exaltar aquele pitoresco recanto da capital
pernambucana, como também de pedir que a Prefeitura Municipal do Recife
cuidasse melhor daquele espaço que, até onde eu sei, não existe nenhum outro
sequer parecido com ele no Brasil.
Durante o evento foi que eu tomei conhecimento de que,
dez anos atrás, fora lançado o livro Alfarrábios
no coração do Recife: do sentido de espaço público à mediação cultural na Praça
do Sebo (Recife: Editora Pé de Letra, 2016, esgotado), porque a sua autora,
Ana Carolina Sobral, apareceu por lá e, junto com Cátia Sales, falou sobre a
obra dela.
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| As meninas superpoderosas do Clube Fitalélico do Recife Marc´cília e Juliana Fink |
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| As poderosa do Carnaval: Simone Gomes e Maria |
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| Hélio Moura Filho, cartofilista e filatelista, e o seu amigo |
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| Elizeu Espíndola e sua filha Zaila: se desdobrando em múltiplos afazeres, Elizeu vem mantendo firme o seu propósito de continuar movimentando a cena dos sebistas e livreiros do centro do Recife |
O escritor e professor Roberto Azoubeel fez o lançamento de sua obra mais recente: Novos engenhos: ensaios e artigos de cultura contemporânea (2003-2025).
A Editora Tamnuatá também amrcou presença levando algumas de suas prublicações para lá.
O longevo e muito atuante Clube Filatélico do Recife
marcou presença fazendo uma ação muito bacana: quem quis e se interessou, pôde
enviar um cartão-postal comemorativo àquela celebração para quem desejasse.
O jornalista Leonardo Klück expôs para o público o
processo de concepção de um documentário sobre sebos que ele estava realizando.
A professora Maria do Rosário, da Universidade
Católica de Pernambuco, que realizara um trabalho com seus alunos de Letras e Pedagogia sobre os
sebos, esteve lá com alguns deles para dizer da iniciativa. Registros fotográficos do trabalho intitulado "Os sebos como ecossistemas da leitura e formação de leitores e professores/as" foram expostos junto ao gradil da praça.
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| Sverino Augusto defronte ao seu boxe e vestindo a camiseta comemorativa |
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| Divulgação do tabalho realizado sobre os sebos por alunos dos cursos de Letras e de Pedagogia da Universidade Católica do Recife |
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| Parafraseando o slogan do Cinema São Luiz: ler é a melhor diversão |
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| O cordelista Fernando Serpa que escreveu um um cordel especial para o dia da festa |
Além do cartão-postal comemorativo, teve pegue e leve
de livros; alguém também providenciou a feitura de uma camiseta alusiva à
celebração - eu, que não sou besta, garanti a minha - e de um bolo que ficou
uma graça: reproduziram até a estátua do poeta Mauro Mota, feita pelo Demétrio
Albuquerque, que se encontra ali - próxima a uma árvore enorme e linda - e que
integra o Circuito da Poesia.
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| Trocando livros que publicaram: Emerson Ahut Wató e Roberto Azoubel |
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| A placa indicativa do estabelecimento da Praça do Sebo: um verdadeiro patrimônio cultural do Recife |
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| De camiseta branca, o artista plástico Emerson pontes observa o movimento |
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| O jornalista Leonardo Klück falando sobre a feitura do seu documentário que retrata a cena dos sebos |
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| Do estande da Editora Tamuatá: "Oh! Bendito o que semeia, livros... Livros à mão cheia...", não é, Castro Alves? |
E por falar em poesia, leitor, poemas foi o que faltou
naquela festa que foi um dos grandes acontecimentos culturais havidos no Recife
neste ano. Tendo Valmir Jordão à frente, fizeram uso do microfone, entre
outros, Ceci Alencar, Fernando Chile e Cida Pedrosa.
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| O artista visual e tatuador Ganjja com suas pedras preciosas Gaby e Amanita |
O cordelista Fernando Serpa, que fez um cordel
comemorativo ao aniversário daquela praça tão amada, também foi ao microfone
dizer os versos que escreveu.
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| Adelbar Lima, um grande amigo de longa data: que bom encontrá-lo lá! |
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| Com o jornalista Leonardo Klück |
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| As tais fotografias do trabalho dos alunos da Universidade Católica de Pernambuco |
Os "Parabéns para você!" foram cantados com
a companhia e o brilho do Bloco Lírico Carnavalesco Cordas e Retalhos. Uma
coisa emocionante e muito linda.
Na sequência, a Praça do Sebo foi tomada pela
sonoridade comandada pelo DJ Diego Drão.
Foi bom demais!
PS - Caso você tenha perdido a festa e ainda não conhece a Praça do Sebo, vá lá! Você vai se deparar com um pequeno mundo que vai lhe levar para outros mundos, porque os livros são verdadeiras máquinas do tempo.
Só mais uma coisa: saí do evento já depois das 13h - eu estava morrendo de fome - e, por isso, não vi outras apresentações musicais, como a do talentoso Canário do Império.