9 de maio de 2026

Para onde vai nos levar a Inteligência Artificial?

Por Sierra


Imagem: Foto do arquivo do autor trablhada com IA por Rennat Said para a história em quadrinhos que ele criou


Ultimamente eu não tenho passado sequer um dia sem que eu me depare com algum fato, alguma notícia ou algo feito ou relacionado com a chamada Inteligência Artificial (IA), o que tem me levado a pensar que ela está se tornando onipresente nas coisas de nossa vida prática e até para além dela, suscitando em minha cabeça levemente perturbada com tal assunto a seguinte pergunta: para onde vai nos levar a Inteligência Artificial?

Meses atrás, ao pegar carona com um conhecido, ele pôs para tocar no celular, enquanto seguíamos na estrada num começo de noite chuvoso, uma música gospel. Ele deixou que eu a ouvisse durante um bom tempo; e, então, me contou, bastante entusiasmado, como se aquilo fosse a coisa mais incrível do mundo, que a tal gravação era fruto da IA: com exceção da letra, que ele escrevera, tudo o mais, ou seja, voz, arranjo e instrumentos fora realizado por uma IA pela qual ele vinha pagando uma mensalidade. Esse letrista, de trinta e poucos anos, que não toca instrumento musical nenhum, se mostrou muito empolgado com a possibilidade de criar mais músicas com a ajuda da IA, disponibilizá-las nas plataformas de streaming e, quem sabe?, começar a ganhar um dinheirinho com isso.

E se você, leitor, está pensando que essa tal de IA é assunto somente de jovens, você está ultrapassado, ops, enganado. Duas semanas atrás um amigo sessentão, primeiro, me enviou, pelo WhatsApp, vídeos em que apareciam animais diversos num espaço da casa dele, tudo fruto da IA; depois, ele me pediu para ler e apreciar uma sequência de história em quadrinhos, visualmente muito bem feita e cheia de detalhes, que ele também criara recorrendo à IA.

Eu não sou contrário ao avanço das tecnologias - e, mesmo que eu fosse, isso não iria adiantar de nada; iria, sim, era atrapalhar e atrasar alguns aspectos da minha vida cotidiana -; e, às vezes, fico até espantado com certas transformações que elas causam nos mais diversos setores do nosso dia a dia. Mas me vejo, na verdade, me sinto sem preparo para encarar e fazer uso de tudo que é disponibilizado por elas; e isso, sem dúvida alguma, tem um impacto negativo porque atrapalha o meu lidar com aplicações de recursos tecnológicos que poderiam facilitar a dinâmica e os afazeres de todos os dias. Um exemplo: eu resisti durante anos a ter um smartphone; e conheço pessoas que não querem saber disso de maneira alguma.

São vários os usos que tem sido dados à IA; e, na esteira disso, vieram inúmeros questionamentos, sobretudo, em tempos de um apego massivo às chamadas redes sociais, espaços esses onde, ainda antes da IA, já existia o, digamos, conflito sobre o que era real e o que era manipulado e exibido nelas, algo que a utilização da IA só fez exacerbar. E o que dizer dos usos da IA na criação artística? Eu citei aqui o caso de uma música e de uma história em quadrinhos; e quanto à escrita de livros e de roteiros de filmes e da própria feitura dos filmes? Será que vamos nos acostumar a consumir produções artísticas e culturais feitas por IA? E isso que eu produzo e publico aqui neste blog, que serventia terá para quem recorre à IA para produzir textos muito rapidamente sem precisar ler livros, notícias e pesquisar simplesmente?

São tantos os desdobramentos em decorrência dos múltiplos usos da IA que ela está ganhando status de um deus onisciente e quase onipresente, porque, pelo que se viu e foi revelado até agora, a IA está sendo utilizada em pesquisas científicas, em pareceres jurídicos, em áreas da medicina, etc. Ou seja, tendemos a cada vez mais nos deparar com o uso da IA que, inevitavelmente, substituirá a mão de obra humana em vários setores do mundo do trabalho.

Eu vi, recentemente, um protesto, em Londres, contra o uso da IA; e artistas vêm reclamando quanto à questão de direitos autorais, uma batalha que, ao que tudo indica e leva a crer, será vencida pela IA e pelas empresas que as criam e desenvolvem.

Num mundo hiperconectado, no qual diversas atividades de nossa vida prática podem ser resolvidas pelo universo virtual - pagamentos de contas, consultas médicas, transações bancárias, compras de supermercado, etc., etc. -, a expansão acelerada dos usos da IA haverá de nos conduzir por caminhos que nós sequer imaginamos. "Será que eu preciso disso ou quero isso para a minha vida?", você pode se perguntar; e a única resposta que pessoalmente eu me dou a esse respeito é que, por ora, não temos opção de querer ou não querer isso; mesmo que resistamos a ela, a IA vai invadir e tomar de assalto a nossa existência como uma avalanche que ninguém consegue deter.

Reféns das mais avançadas das mais avançadas das tecnologias, só nos resta viver clicando nos links, digitando senhas, acionando câmeras, descrevendo os pedidos e esperando para ver o que acontece.

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