24 de outubro de 2026

A festa dos 45 anos da Praça do Sebo do Recife

Por Sierra

 

Fotos: Arquivo do Autor
A festa dos 45 anos da Praça do Sebo teve um pouco de tudo: bolo, como não poderia deixar de ser, livros, cordéis, música, poesia, fotografia e vários encontros de pessoas que não conseguem viver sem praticar o exercício da leitura

 

No labirinto do universo urbano repleto de ruas, avenidas, becos e praças que compõem o bairro de Santo Antônio, no coração de parte do chamado núcleo primitivo do Recife, existe um lugar, um recanto, um espaço, um micromundo muito especial, em meio à selva de concreto, que é a Praça do Sebo - oficialmente batizada de Praça Liêdo Maranhão, homenagem a um dos maiores pesquisadores da cultura popular pernambucana que esteve na linha de frente quando das tratativas para a instalação dos boxes dos sebistas naquele espaço - que fica na Rua da Roda, onde existem também vários bares e restaurantes.


Parte da arquitetura que envolve a Praça do Sebo na Rua da Roda


A vereadora e poeta Cida Pedrosa ao lado de Severino Augusto, o mais antigo livreiro da Praça do Sebo 



O pessoal do Bloco Lírico Carnavalesco Cordas e Retalhos se preparando para animar a galera




O artista plástico Gogaii e o sebista José Ítalo


José Ítalo com Luiz Carlos, do Sebo Baleia




O artista plástico Toni Braga que ali, na hora feito caldo de cana, fez o desenho de uma ciranda pernambucana para mim


Duas gerações de sebistas: Luiz Carlos, do Sebo Baleia, e Elizeu Espíndola, do Seborreia Recife e do Coletivo Sebos do Capibaribe

Acredito que não haja sequer um bibliófilo, um pesquisador, um pai ou uma mãe que todos dos anos procuram obras didáticas e amantes dos livros, da leitura e das coisas do Recife que não conheçam e que nunca estiveram na Rua da Roda para garimpar títulos e mesmo de posse de uma listinha para tentar encontrá-los nos vários boxes de sebistas que integram um pedaço daquele chão que é como os primitivos pátios das igrejas, a exemplo de um dos pouquíssimos pátios do Recife que sobreviveram à fúria do progresso demolidor que abre passagens para os automóveis, que é o pátio da Igreja de São Pedro dos Clérigos: você percorre o labirinto do traçado urbano e, de repente, se depara com um espaço aberto cercado de prédios por quase todos os lados.




A escitora Ana Carolina Sobral e a sebista Cátia Sales; a Praça do Sebo como objeto de estudo e de geração de renda




Elizeu Espíndola e o poeta Samarone Lima












Particularmente eu guardo a lembrança de diversas idas aos sebos da Rua da Roda: vários dos livros que constituem a minha biblioteca foram adquiridos lá.

Oficialmente inaugurada no dia 26 de agosto de 1981, na gestão do então prefeito Gustavo Krause, a Praça do Sebo teve a festa de seus 45 anos de existência celebrada no último dia 29 de agosto; e eu, claro e como não poderia deixar de ser, fui até lá comemorar esse feito e me juntar a uma pequena multidão de escritores, leitores, sebistas, livreiros, pesquisadores, cantores, cordelistas, artistas plásticos e outros espécimes que não conseguem viver sem a boa companhia dos livros e que, por outro lado e de alguma forma, militam para que o centro do Recife continue vivo e pulsante apesar dos tantos fechamentos de estabelecimentos comerciais ocorridos nos últimos dez anos.


O escritor e cordelista Geraldo Valério






Trinca de ases: da esquerda para a direita, o multiartista José Rodrigues, o poeta Edson Ahut Wató e o professor e escritor Roberto Azoubel






A ação do valoroso Clube Filatélico do Recife com a emissão de um cartão-postal comemorativo ao aniversário da Praça do Sebo



A sebista Cátia Sales, uma guerreira que segue firme no seu ofício e na movimentação da Praça do Sebo



Na ensolarada manhã do dia da festa da Praça do Sebo eu fui me juntar a todos aqueles que reuniram forças para fazer o evento acontecer, como os sebistas Elizeu Espíndola e Cátia Sales.

Fazendo as vezes de mestre de cerimônia, Elizeu Espíndola, que levou a sua filha Zaila, conduziu o andamento da celebração à qual, entre outros, compareceram Roberto Azoubel, Cida Pedrosa, Gogaii, Ganjja, José Rodrigues, Valmir Jordão, Samarone Lima, Rennat Said, Gerson Ipirajá, Hélio Moura Filho, Emerson Pontes, Toni Braga, Luiz Carlos, Leonardo Klück, Adelbar Lima, Urariano Mota, Geraldo Valério, Fernando Serpa e José Ítalo.


Eu ao lado de Jacaré, o mais longevo sebista em atuação no centro do Recife







Não são só livros, não: na Praça do Sebo você encontra também discos de vinil, gibis, revistas e outras coisas mais



O Recife é a um só tempo a cidade da minha formação intelectual e o território que ampliou o meu entendimento de mundo e aguçou os meus interesses artísticos e culturais




Com Roberto Azoubel


O artista plástico Gerson Ipirajá e o escritor Rennat Said

Nos discursos que fizeram na ocasião, uns e outros se lembraram não somente de exaltar aquele pitoresco recanto da capital pernambucana, como também de pedir que a Prefeitura Municipal do Recife cuidasse melhor daquele espaço que, até onde eu sei, não existe nenhum outro sequer parecido com ele no Brasil.

Durante o evento foi que eu tomei conhecimento de que, dez anos atrás, fora lançado o livro Alfarrábios no coração do Recife: do sentido de espaço público à mediação cultural na Praça do Sebo (Recife: Editora Pé de Letra, 2016, esgotado), porque a sua autora, Ana Carolina Sobral, apareceu por lá e, junto com Cátia Sales, falou sobre a obra dela.


As meninas superpoderosas do Clube Fitalélico do Recife Marc´cília e Juliana Fink




As poderosa do Carnaval: Simone Gomes e Maria



Hélio Moura Filho, cartofilista e filatelista, e o seu amigo 




Elizeu Espíndola e sua filha Zaila: se desdobrando em múltiplos afazeres, Elizeu vem mantendo firme o seu propósito de continuar movimentando a cena dos sebistas e livreiros do centro do Recife






O escritor e professor Roberto Azoubeel fez o lançamento de sua obra mais recente: Novos engenhos: ensaios e artigos de cultura contemporânea (2003-2025).

A Editora Tamnuatá também amrcou presença levando algumas de suas prublicações para lá.

O longevo e muito atuante Clube Filatélico do Recife marcou presença fazendo uma ação muito bacana: quem quis e se interessou, pôde enviar um cartão-postal comemorativo àquela celebração para quem desejasse.

O jornalista Leonardo Klück expôs para o público o processo de concepção de um documentário sobre sebos que ele estava realizando.

A professora Maria do Rosário, da Universidade Católica de Pernambuco, que realizara um trabalho com seus alunos de Letras e Pedagogia sobre os sebos, esteve lá com alguns deles para dizer da iniciativa. Registros fotográficos do trabalho intitulado "Os sebos como ecossistemas da leitura e formação de leitores e professores/as" foram expostos junto ao gradil da praça.


Sverino Augusto defronte ao seu boxe e vestindo a camiseta comemorativa




Divulgação do tabalho realizado sobre os sebos por alunos dos cursos de Letras e de Pedagogia da Universidade Católica do Recife


Parafraseando o slogan do Cinema São Luiz: ler é a melhor diversão







O cordelista Fernando Serpa que escreveu um um cordel especial para o dia da festa



Além do cartão-postal comemorativo, teve pegue e leve de livros; alguém também providenciou a feitura de uma camiseta alusiva à celebração - eu, que não sou besta, garanti a minha - e de um bolo que ficou uma graça: reproduziram até a estátua do poeta Mauro Mota, feita pelo Demétrio Albuquerque, que se encontra ali - próxima a uma árvore enorme e linda - e que integra o Circuito da Poesia.


Trocando livros que publicaram: Emerson Ahut Wató e Roberto Azoubel

A placa indicativa do estabelecimento da Praça do Sebo: um verdadeiro patrimônio cultural do Recife





De camiseta branca, o artista plástico Emerson pontes observa o movimento

O jornalista Leonardo Klück falando sobre a feitura do seu documentário que retrata a cena dos sebos



Do estande da Editora Tamuatá: "Oh! Bendito o que semeia, livros... Livros à mão cheia...", não é, Castro Alves?

E por falar em poesia, leitor, poemas foi o que faltou naquela festa que foi um dos grandes acontecimentos culturais havidos no Recife neste ano. Tendo Valmir Jordão à frente, fizeram uso do microfone, entre outros, Ceci Alencar, Fernando Chile e Cida Pedrosa.


O artista visual e tatuador Ganjja com suas pedras preciosas Gaby e Amanita


O cordelista Fernando Serpa, que fez um cordel comemorativo ao aniversário daquela praça tão amada, também foi ao microfone dizer os versos que escreveu.


Adelbar Lima, um grande amigo de longa data: que bom encontrá-lo lá!




Com o jornalista Leonardo Klück



As tais fotografias do trabalho dos alunos da Universidade Católica de Pernambuco




Os "Parabéns para você!" foram cantados com a companhia e o brilho do Bloco Lírico Carnavalesco Cordas e Retalhos. Uma coisa emocionante e muito linda.

Na sequência, a Praça do Sebo foi tomada pela sonoridade comandada pelo DJ Diego Drão.

Foi bom demais!


PS - Caso você tenha perdido a festa e ainda não conhece a Praça do Sebo, vá lá! Você vai se deparar com um pequeno mundo que vai lhe levar para outros mundos, porque os livros são verdadeiras máquinas do tempo.

Só mais uma coisa: saí do evento já depois das 13h - eu estava morrendo de fome - e, por isso, não vi outras apresentações musicais, como a do talentoso Canário do Império.

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