27 de junho de 2026

A vida em companhia de gatos

Por Sierra

 

Fotos: Arquivo do Autor
 Leon, "O gato que é um gato" é um dos felinos que chegaram para encher a nossa casa não só de pelo, mas também de animação, prazer e satisfação. Gatos são uma das melhores coisas que existem


Não sei a partir de que momento nós, aqui em casa, começamos a ter gatos como animais de estimação. O que eu sei é que nós três, eu, Mainha e meu irmão, gostamos muito dos bichanos. Somos uns quase gatomaníacos.

Particularmente eu gosto de gatos por admirar sua elegância, seu espírito de curiosidade, sua higiene pessoal, sua beleza e, acima de tudo, por seu firme e inegociável caráter de independência e senso de liberdade. Gatos, ao mesmo tempo que se portam como donos imperiais da casa, têm uma disposição para o desapego que, para mim, é qualquer coisa de muito admirável.


Brenda, "a gata que pensa que é gente": enquanto ela não ganha a cama box que nos pediu, vai dando um jeito numa caixa mesmo






A minha lembrança mais remota de convívio caseiro com um bichano é de um tempo da infância na casa de minha avó materna Maria da Conceição, que possuía um gorducho e bonito gato chamado Mimoso, do qual eu muito gostava. Mimoso, como todo gato, se comportava como se tudo girasse em torno dele.

Nós já possuímos gatos das mais variadas cores e tamanhos, quase todos sem designação de raça. Uns que alguém nos deu; outros que nós apanhamos na rua; e todos muito queridos e paparicados, porque os gatos, vocês devem saber, vieram ao mundo para serem muito bem servidos ainda que às vezes, eles pareçam desdenhar toda a atenção que nós lhes dispensamos.

Devido a vários fatores, sendo o principal deles a carga de responsabilidade dos bichanos que Mainha e meu irmão deixavam para mim e os lutos que foram se somando – nós chegamos a ter, em certa época, oito gatos, machos e fêmeas; e alguns deles foram envenenados por alguém da vizinhança -, nós ficamos durante vários anos, muitos anos sem possuir gatos; os contatos com bichanos vinham se dando apenas esporadicamente, quando uns e outros, dos vizinhos ou de rua, apareciam aqui em casa procurando por comida.

Ocorreu que, no segundo semestre do ano passado, quando eu me afastei de minhas atividades laborais que me tomavam mais tempo, eu resolvi voltar a ter ao menos um gato; e calhou de um dos bichanos visitantes angariar a nossa simpatia porque vivia aparecendo frequentemente por aqui; e nós resolvemos adotá-lo sem saber qualquer era a sua procedência; deduzimos que ela – sim, é uma fêmea; e Mainha a batizou de Brenda – não tinha dono, porque, tendo plena liberdade de ir e vir – e ela fez isso algumas vezes -, ela resolveu ficar.

Não demorou muito e meu irmão veio com a conversa de que Brenda, “a gata que pensa que é gente”, precisava de uma companhia felina; e ele falou com um seu amigo que estava com uma gata prenhe; disse-lhe que iria querer um dos filhotes dela. Quando a gataiada nasceu, ele foi até a casa do rapaz e escolheu o que ele iria querer; e, assim que passou o período de aleitamento, ele trouxe para cá um alaranjado Leon, “o gato que é um gato”, que ele mesmo batizou.

Nina, "a gata que é cheia de si": ela chegou aqui trazida da rua. Lindona e muito senhora de seu ambiente




Íamos tranquilos – tranquilos nada: parecendo ter a energia de todos os gatos do mundo em seu corpo, Leon punha e põe a casa de cabeça para baixo com um corre-corre danado para lá e para cá e fazendo mil travessuras, além de travar embate com Brenda que, já sendo adulta, não dava bola e nem atenção para o pirralho tão traquinas - nessa convivência com os gatos quando, no mês passado, voltando da academia de musculação num começo de noite, eu resolvi trazer para casa uma gatinha preta e branca e de rabo bem flocado, que vivia num monturo que existe na entrada da rua onde moramos e que eu vira poucos dias atrás. Coloquei-a nos braços e carreguei-a já escolhendo o nome com o qual a batizaria: Nina, por causa da Nina Simone. A princípio Nina, "a gata que é cheia de si", ficou ressabiada com os outros felinos da nova morada, depois, ela já se sentia a dona do pedaço: gatos são assim mesmo.

Ainda antes da chegada da Nina, eu me peguei olhando para Brenda e Leon e sentindo um prazer e uma satisfação enormes de tê-los por perto; e cheguei mesmo a comentar com o meu irmão, que divide a casa comigo - Mainha mora noutra casa e noutra cidade -: "Irmão, que coisa boa voltar a ter gatos em casa!". E ele concordou, porque também adora bichanos.

É claro que a nossa rotina foi em parte alterada com a chegada dos bichanos, porque animais de estimação exigem cuidados com comida e higiene, por exemplo. Porém, todo esforço é recompensado pelo prazer  de vê-los brincar, revirar tudo, disputarem espaços de soneca e ficarem em nosso colo ronronando e querendo afagos.





O nosso lar tem tido dias repletos de gatices com a presença de Brenda, Leon e Nina, um trio e tanto, uns danadinhos que rotineiramente nos ocupam, nos motivam, nos alegram e nos convidam a querer tê-los sempre junto de nós, porque gatos são dessas coisas da vida que fazem com que aprendamos a reconhecer o princípio da plena satisfação de existir, porque podemos ter seres como eles por perto.

PS- Nina, "a gata que é cheia de si", chegou aqui prenhe, algo do qual só tomamos conhecimento quando o seu ventre se avolumou com o passar dos dias. Na madrugada do último dia 22 ela pariu cinco filhotes, sendo que um deles chegou ao mundo natimorto. Até agora nós não sabemos o sexo deles e, sendo assim, não os batizamos ainda. A família, a nossa família cresceu muito em pouco tempo.


Nina, a mamãe do ano





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