20 de outubro de 2012

Feiras livres (3)

Por Clênio Sierra de Alcântara


Centro (Igaraçu – PE). Trabalhei em Igaraçu durante mais de dez anos. E, como para chegar ao meu local de trabalho, eu quase sempre escolhia o caminho que atravessava a área comercial onde está instalada a feira livre de seu espaço central, fiquei mais do que familiarizado com seu ambiente, porque, não raro, era também nele que eu fazia minhas compras.


Fotos: o autor do texto
              








Denominado por uma das gestões municipais como “maior centro comercial do litoral norte”, o espaço que acomoda a feira – o dia da feira propriamente dita é o sábado, ocasião na qual todo o pessoal que não possui  bancos fixos, comercializa seu produto disposto no chão e em bancos por vezes improvisados, principalmente ao longo da Rua José Gerônimo C. Júnior -, abriga ainda um mercado público, açougues, supermercados, armarinhos, farmácias, enfim, uma variedade enorme de estabelecimentos comerciais.









Na entrada do pátio, como que dando boas-vindas ao público em geral, está assentada uma estátua representando o português Duarte Coelho, o donatário da Capitania de Pernambuco que fundou a então Vila de Igaraçu no século XVI. Falando nisso, não custa lembrar que o principal centro comercial dessa cidade – que é o que está sendo enfocado neste texto – dista cerca de 500 m do seu sítio histórico que, no dizer do jornalista Ernesto Paglia – eu considero a definição graciosamente perfeita –,  “parece uma caixinha de joias”.








Faz vários anos que a Prefeitura Municipal tratou de reestruturar a área comercial padronizando os bancos dos feirantes – a estrutura é feita de cimento armado e coberta com telhas tipo Brasilit – e os bares; e construindo um grande espaço coberto onde são comercializados principalmente roupas e calçados.















A dinâmica dos negócios fez com que certas posturas municipais não se estabelecessem. Por exemplo: o grande galpão tido como “mercado da carne” está com boa parte de sua área subutilizada. Nesse espaço a falta de gerência permitiu que alguém instalasse ali, imaginem, uma oficina de conserto de televisores. Outro ponto onde o descaso se estabeleceu fica próximo ao comércio de roupas, onde alguns bancos estão em completo estado de abandono.






Dada a quantidade de pessoas que percorrem toda a extensão desse centro de comércio – em particular aos sábados -, seria mais do que providencial que a Municipalidade coibisse o tráfego de automóveis e motocicletas na área que compreende a entrada e o contorno dos primeiros boxes que antecedem os bancos, porque, além de impedirem o livre trânsito de pedestres, eles ocupam um espaço que não é apropriado para a sua circulação.

Há uma gama enorme de quitutes à espera do visitante nesse teritório igaraçuense, afinal, uma feira livre tem também essa coisa de nos conquistar pelos aromas e sabores de comidinhas e bebidas feitas na hora: tapioca e beiju quentinhos; bolos a valer; sucos variados e caldo de cana; feijoada e galeto; dobradinha e churrasco... O cardápio certamente atende a todos os gostos.









Por vezes fico a imaginar onde terão ocorrido as primeiras feiras livres dessa cidade tão antiga. Ainda não pesquisei a respeito; mas sou levado a crer que seu espaço primitivo talvez tenha sido no mesmo sítio na qual ocorre atualmente, ou muito próximo a ele, dado que sua localização fica a poucos metros da BR 101, onde, provavelmente, existia a velha estrada que levava a Goiana, à Paraíba e às outras províncias do Norte; pois é sabido que lugares de passagem significam fluxo de pessoas e produtos, ou seja, de prováveis compradores e vendedores de mercadorias e víveres.

 Feiras livres são fundamentalmente lugares de convívio social aos quais as pessoas vão não apenas para comprar produtos, mas também para ver o movimento e as novidades, para encontrar velhos conhecidos, para bater papo, para comer, para, enfim, vivenciar a cidade que habitam e/ou estimam. E esse negócio de estima é tão verdadeiro que algumas feiras livres atraem pessoas de outros municípios; uma gente que se acostumou com o bulício do lugar, com certos feirantes e até mesmo com certas mercadorias de sua predileção que ela acha que só vai encontrar ali.




Não canso de repetir que sou ligado por liames muito fortes a esse pedaço de Igaraçu, onde vivi alguns dos meus melhores dias.


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