Por Sierra
Existem vários parâmetros para se avaliar
a boa gerência e/ou a incompetência da atuação de uma Municipalidade. Uma boa
administração municipal pode ser avaliada, por exemplo, pelo número de alunos
matriculados em suas escolas e pela qualidade do ensino nelas oferecido; também
pela eficiência na coleta de lixo e pela condição de suas vias públicas. A
incompetência, por outro lado, pode ser vista pela precariedade que,
porventura, esteja marcando tudo isso que foi citado aqui e, principalmente,
pela recorrência e manutenção de problemas e deficiências que parecem ser
insolúveis, uma vez que, entra ano e sai ano, e eles permanecem ali de modo
persistente e acintoso e como que a rir e debochar da nossa cara.
Talvez não exista uma única cidade no
mundo que não enfrente algum problema,seja ele de natureza estrutural e/ou
socioeconômica, como desemprego, poluição, violência, criminalidade, seja no
modo como lida com as chamadas populações flutuantes, que marcam mais
particularmente aquelas cidades que são destinos turísticos bastante
procurados, como os balneários, a exemplo da Ilha de Itamaracá, uma
cidade-balneário localizada no litoral norte pernambucano e que integra a
Região Metropolitana do Recife.
Todos os anos a história e os perrengues
se repetem na Ilha de Itamaracá quando chega a chamada alta estação, o tempo do
verão, época em que muitos visitantes e também veranistas, pessoas que possuem
casas na ilha-cidade apenas para passar temporadas - e lá esses imóveis somam
milhares -, o lugar sofre e muito com a superlotação de gente, porque, nesse
período, a população chega a quase quadruplicar.
E os resultados dessa superlotação na Ilha
de Itamaracá são por demais conhecidos pelas sucessivas administrações
municipais que, mesmo sabendo disso, entra ano e sai ano, nada fazem para que
se busque pelo menos mitigar os efeitos daninhos da superabundância de pessoas
circulando pelas ruas, rodovias e praias da ilha.
Não demora muito e a estrutura, que é só
compatível para suportar - e não a contento, diga-se de passagem - apenas a
população residente, que não chega a 30.000 indivíduos, se vê pressionada e
sufocada por demandas da população flutuante. E o quadro de quase caos se instala,
porque não demora para que as deficiências estruturais saltem aos olhos e
revelem a incapacidade e incompetência dos gestores públicos para lidar com a
situação.
E montanhas de lixo se acumulam em
esquinas de ruas e em terrenos baldios; recorre-se a um racionamento do
fornecimento de água mais severo do que o que é aplicado ao longo do ano; em
algumas horas do dia, trechos das rodovias que cortam a ilha ficam com o
trânsito lento; alguns comerciantes não se preparam suficientemente para as
vendas e alguns produtos acabam faltando em prateleiras dos supermercados; as
faixas de areia das praias acumulam ainda mais sujeira e a Municipalidade não
se ocupa de removê-la; e, embora com pouca frequência, ocorre queda de energia
elétrica, porque o nível de consumo se eleva muito.
Uma coisa é você falar e descrever esses
cenários e situações, verificados em balneários ou em cidades-balneários, de
maneira genérica, porque cada um deles enfrenta seus problemas e são atingidos
por eles de modos distintos; e outra é você descrever uma realidade vivenciada
sem dourar a pílula e nem carregar nas tintas. Nestes vinte e cinco anos de
residência na Ilha de Itamaracá eu já experimentei situações ruins ou muito
ruins decorrentes da falta de preparo da Municipalidade para lidar com as
consequências da população flutuante que, em feriadões, festas de fim de ano e
no Carnaval, aflui para lá. Vou lhes dar um exemplo vivenciado ainda há pouco:
o fornecimento de água no trecho do bairro do Forte Orange, onde eu moro, foi
suspenso no dia 24 de dezembro de 2025; e a água só voltou às torneiras no dia
5 de janeiro de 2026. Ou seja: se a intenção da companhia de abastecimento de
água é prevenir que a população flutuante não consuma o líquido de modo
exagerado e/ou com desperdício, ela acaba prejudicando a todos: nós, moradores,
pagamos pela incapacidade dos gestores de promover a ampliação do sistema de
abastecimento de água.
Não é que faltem ideias, planos e projetos nas cabeças pensantes dos gestores públicos; o fato é que, sem empenho e, quiçá, falta de recursos financeiros, as deficiências estruturais encontradas nos balneários e/ou em cidades-balneários se agravam a olhos vistos, ano após ano, e tudo fica por isso mesmo, infelizmente.

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