10 de janeiro de 2026

Os mesmos problemas de sempre das cidades-balneários

 Por Sierra

 

Foto: Arquivo do Autor
Ilha de Itamaracá, dia 1º de janeiro de 2026: um dos balneários mais procurados do litoral brasileiro, essa ilha-cidade ainda não resolveu os seus problemas estruturais para bem manter os seus moradores fixos e têm que comportar, sazonalmente, ao longo do ano, uma numerosa população flutuante


Existem vários parâmetros para se avaliar a boa gerência e/ou a incompetência da atuação de uma Municipalidade. Uma boa administração municipal pode ser avaliada, por exemplo, pelo número de alunos matriculados em suas escolas e pela qualidade do ensino nelas oferecido; também pela eficiência na coleta de lixo e pela condição de suas vias públicas. A incompetência, por outro lado, pode ser vista pela precariedade que, porventura, esteja marcando tudo isso que foi citado aqui e, principalmente, pela recorrência e manutenção de problemas e deficiências que parecem ser insolúveis, uma vez que, entra ano e sai ano, e eles permanecem ali de modo persistente e acintoso e como que a rir e debochar da nossa cara.

Talvez não exista uma única cidade no mundo que não enfrente algum problema,seja ele de natureza estrutural e/ou socioeconômica, como desemprego, poluição, violência, criminalidade, seja no modo como lida com as chamadas populações flutuantes, que marcam mais particularmente aquelas cidades que são destinos turísticos bastante procurados, como os balneários, a exemplo da Ilha de Itamaracá, uma cidade-balneário localizada no litoral norte pernambucano e que integra a Região Metropolitana do Recife.

Todos os anos a história e os perrengues se repetem na Ilha de Itamaracá quando chega a chamada alta estação, o tempo do verão, época em que muitos visitantes e também veranistas, pessoas que possuem casas na ilha-cidade apenas para passar temporadas - e lá esses imóveis somam milhares -, o lugar sofre e muito com a superlotação de gente, porque, nesse período, a população chega a quase quadruplicar.

E os resultados dessa superlotação na Ilha de Itamaracá são por demais conhecidos pelas sucessivas administrações municipais que, mesmo sabendo disso, entra ano e sai ano, nada fazem para que se busque pelo menos mitigar os efeitos daninhos da superabundância de pessoas circulando pelas ruas, rodovias e praias da ilha.

Não demora muito e a estrutura, que é só compatível para suportar - e não a contento, diga-se de passagem - apenas a população residente, que não chega a 30.000 indivíduos, se vê pressionada e sufocada por demandas da população flutuante. E o quadro de quase caos se instala, porque não demora para que as deficiências estruturais saltem aos olhos e revelem a incapacidade e incompetência dos gestores públicos para lidar com a situação.

E montanhas de lixo se acumulam em esquinas de ruas e em terrenos baldios; recorre-se a um racionamento do fornecimento de água mais severo do que o que é aplicado ao longo do ano; em algumas horas do dia, trechos das rodovias que cortam a ilha ficam com o trânsito lento; alguns comerciantes não se preparam suficientemente para as vendas e alguns produtos acabam faltando em prateleiras dos supermercados; as faixas de areia das praias acumulam ainda mais sujeira e a Municipalidade não se ocupa de removê-la; e, embora com pouca frequência, ocorre queda de energia elétrica, porque o nível de consumo se eleva muito.

Uma coisa é você falar e descrever esses cenários e situações, verificados em balneários ou em cidades-balneários, de maneira genérica, porque cada um deles enfrenta seus problemas e são atingidos por eles de modos distintos; e outra é você descrever uma realidade vivenciada sem dourar a pílula e nem carregar nas tintas. Nestes vinte e cinco anos de residência na Ilha de Itamaracá eu já experimentei situações ruins ou muito ruins decorrentes da falta de preparo da Municipalidade para lidar com as consequências da população flutuante que, em feriadões, festas de fim de ano e no Carnaval, aflui para lá. Vou lhes dar um exemplo vivenciado ainda há pouco: o fornecimento de água no trecho do bairro do Forte Orange, onde eu moro, foi suspenso no dia 24 de dezembro de 2025; e a água só voltou às torneiras no dia 5 de janeiro de 2026. Ou seja: se a intenção da companhia de abastecimento de água é prevenir que a população flutuante não consuma o líquido de modo exagerado e/ou com desperdício, ela acaba prejudicando a todos: nós, moradores, pagamos pela incapacidade dos gestores de promover a ampliação do sistema de abastecimento de água.

Não é que faltem ideias, planos e projetos nas cabeças pensantes dos gestores públicos; o fato é que, sem empenho e, quiçá, falta de recursos financeiros, as deficiências estruturais encontradas nos balneários e/ou em cidades-balneários se agravam a olhos vistos, ano após ano, e tudo fica por isso mesmo, infelizmente.

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